12/04/2017

5 Estratégias para Aliviar a Ansiedade.



A ansiedade está na grande maioria das vezes relacionada com preocupação. A ansiedade materializa-se numa ocupação antecipatória dos recursos da mente sobre algo que acontecerá ou que se receia que aconteça no futuro. No entanto a preocupação pode ser útil quando nos leva a agir e a resolver um problema. Mas se você está preocupado com cenários hipotéticos ou cenários catastróficos, a preocupação torna-se um problema sério. Dúvidas e medos irracionais são paralisantes, desmotivantes e não-produtivos. A ansiedade e conseqüentemente a preocupação exagerada sugam a sua energia emocional, aumentam os níveis de tensão, e interferem com o seu dia-a-dia, tudo isso sem nenhum retorno positivo. A boa notícia é que o terrível hábito da preocupação crônica é um processamento mental que você pode aprender a diminuir e até mesmo a superar. Você pode treinar a sua mente de forma a ficar mais calmo e controlado, permitindo que olhe a vida sob uma perspectiva mais positiva.
Uma vez acionada a ansiedade, a preocupação segue-se, é como que um subproduto do processamento ansioso da informação. Conseqüentemente geram-se sentimentos mistos sobre as suas preocupações. As suas preocupações começam a incomodá-lo, passando a manifestar-se de forma sintomática, prejudicando o sono, a concentração, a alimentação, o humor e aumentando os pensamentos  pessimista e catastrófico. 
Mas, afortunadamente existem algumas formas de processamento de informação que justificam essas preocupações . Por exemplo, quando você pensa:
Talvez eu encontre uma solução.
Eu não quero esquecer nada.
Se eu ficar pensando um pouco mais, talvez eu possa resolver a situação.
Eu não quero ser surpreendido.
Eu quero ser responsável.
Todos nós temos uma tendência natural para a preocupação, por isso torna-se difícil desenraizarmos este hábito, porque em certo sentido, as nossas preocupações têm vindo a servir-nos.
  
PORQUE É TÃO DIFÍCIL PARAR DE SE PREOCUPAR?
Para os mais preocupados, os pensamentos ansiosos são alimentados pelas crenças, ambas, positivas e negativa, que mantêm a inclinação mental desadequada. Do lado negativo, você pode acreditar que a sua preocupação constante é prejudicial, que vai deixá-lo louco ou afetar a sua saúde. Ou que você vai perder o controlo sobre os seus pensamentos, e nunca mais conseguirá controlar a preocupação. No lado positivo, você pode acreditar que a sua preocupação ajuda a evitar as coisas ruins, evita problemas,  e que o prepara para o pior, ou que conduz a soluções.
Crenças negativas, ou preocupar-se com a sua preocupação, faz disparar ainda mais a ansiedade e o ciclo de pensamentos preocupantes irão manter-se. Mas crenças positivas sobre a preocupação podem ser ainda mais prejudiciais. É difícil quebrar o hábito preocupação se você acreditar que a sua preocupação o protege. Para parar a preocupação excessiva e a ansiedade, você deve abandonar a sua crença de que a preocupação serve um propósito positivo. Depois de perceber que a preocupação é o próprio problema, não a solução, você pode recuperar o equilíbrio emocionale reestruturar os padrões mentais para uma forma mais positiva e otimista de ver a vida.
Nota clarificadora: Atenção, neste artigo quando me refiro à preocupação, estou a abordar as ruminações que você pode ter relativamente a uma possível ameaça ou problema, não sendo essa ameaça real, mas sim  imaginada, sem que existam evidências concretas para tal.
PREOCUPAÇÃO E ANSIEDADE – DICA 1: ACEITE A INCERTEZA
A incapacidade de tolerar a incerteza desempenha um papel central no aumento da ansiedade e preocupação. As pessoas que sofrem de preocupação crônica têm um impulso enorme para o esclarecimento de todas as suas dúvida e imprevisibilidade. Elas precisam saber com 100% de certeza o que vai acontecer. Preocupar-se é visto como uma maneira de prever o que o futuro lhes reserva, uma forma de evitar surpresas desagradáveis e controlar os resultados. O problema é que esta estratégia de querer saber o que vai acontecer no futuro e/ou certificar-se que as coisas temidas não irão acontecer, simplesmente não funciona.
Pensando em tudo o que podia dar errado, não torna a vida mais previsível. Você pode sentir-se mais seguro acionando a sua tendência mental para a preocupação, mas é apenas uma ilusão. Focalizando os piores cenários não vai certamente impedir que algumas coisas ruins aconteçam. Apenas irá impedir que você aproveite e goze as coisas boas que tem no  momento presente. Então se você quer parar de se preocupar e pretende aliviar a ansiedade, comece por resolver a sua necessidade de segurança e respostas imediatas.
Desafiar a intolerância de incerteza: A chave para o alívio da ansiedade
Pergunte a si mesmo as seguintes perguntas e anote as suas respostas. Veja se você consegue chegar a um entendimento das desvantagens e problemas de ser intolerante com a incerteza.
É possível ter certeza sobre tudo na vida?
Quais são as vantagens de querer ter a certeza de todas as coisas, versus as desvantagens? Ou, como é que a necessidade de ter a certeza é algo útil ou prejudicial na vida?
Você tende a prever que algumas coisas ruins possam acontecer apenas porque são incertas? Isso é uma coisa razoável a fazer? Qual é a probabilidade de resultados positivos ou neutros acontecerem?
É possível viver com uma chance pequena de que algo de negativo pode acontecer, dado que o
seu risco é muito baixo?
PREOCUPAÇÃO E ANSIEDADE – DICA 2: CRIE UM PERÍODO PARA A PREOCUPAÇÃO
É difícil ser produtivo e funcional na sua vida diária, quando a ansiedade e a preocupação dominam os seus pensamentos. Simplesmente tentar parar de se preocupar não funciona, pelo menos não por muito tempo. Você pode distrair-se por um momento (o que momentaneamente pode ser benéfico), mas você não pode banir os seus pensamentos ansiosos. Tentar fazer isso muitas vezes torna-os mais fortes e mais incisivos. Mas isso não significa que não existe nada que você possa fazer para diminuir ou superar a sua preocupação. Você precisa de aplicar uma abordagem diferente. Ao invés de tentar suprimir totalmente um pensamento ansioso, uma estratégia que se tem mostrado eficaz é desenvolver o hábito de adiar a preocupação.
Aprenda a adiar a preocupação:
Criar um “período para a sua preocupação“. Escolha um horário definido e um lugar para se preocupar. Deve ser o mesmo todos os dias (por exemplo, na sala de estar entre  17:00 – 17:20), tente que seja suficientemente distante da hora de ir dormir para que a ansiedade não lhe prejudique o sono. Durante o seu período de preocupação, você está autorizado a preocupar-se com o que lhe atormenta a mente. O resto do dia, porém, é uma zona livre de preocupações.
Adiar a sua preocupação. Se um pensamento ansioso ou preocupação emergir na sua mente durante o dia, faça uma breve nota num bloco de papel e adie o processamento de informação para o seu período de preocupação. Lembre-se que você vai ter tempo para pensar nisso mais tarde, então não há necessidade de se preocupar com isso agora. Guarde-a para mais tarde e continue com as suas atividades.
Verifique a sua “lista de preocupações“, durante o período para se preocupar. Reflita sobre as preocupações que você escreveu no bloco de papel durante o dia. Se os pensamentos ainda o estão a incomodar, permita preocupar-se com eles, mas apenas para a quantidade de tempo que você especificou para o período de se preocupar. Com esta estratégia provavelmente as suas preocupações não lhe irão parecer mais importantes, desta forma pode reduzir ou eliminar o seu período para a sua preocupação e aproveitar o resto do seu dia.
A reter: Adiar a preocupação é eficaz porque permite quebrar o hábito de se deter sobre as preocupações no momento presente. Assim que você desenvolva a capacidade de adiar os seus pensamentos ansiosos, você vai experimentar um maior alívio da ansiedade,  da preocupação e aumentar a sensação de controlo.
  
PREOCUPAÇÃO E ANSIEDADE – DICA 3: DESAFIE OS PENSAMENTOS NEGATIVOS
Se você sofre de ansiedade e preocupações crônicas , é provável que você olhe para o mundo de maneiras que parecem torná-lo mais perigoso do que realmente é. Por exemplo, você pode superestimar a possibilidade de que as coisas vão sair mal, saltar imediatamente para cenários catastróficos, ou tratar cada pensamento negativo, como se fosse um fato real. Você também pode desacreditar a sua própria capacidade para lidar com os problemas da vida, assumindo que tudo irá correr mal ao primeiro sinal de dificuldade. Estes pensamento irracionais e atitudes pessimistas são conhecidas como distorções cognitivas.
Apesar das distorções cognitivas não serem baseadas na realidade, torna-se difícil para a pessoa contrapor e eliminar este tipo de raciocínio. Muitas vezes, estas distorções são parte de um padrão de pensamento que tem usado ao longo da vida, tornou-se tão automático que nem sequer está totalmente consciente disso. A fim de quebrar esses hábitos de pensamento destrutivo e distorcido e parar a preocupação e ansiedade que eles originam, você deve ganhar motivação para treinar a sua mente com novas formas de raciocínio, instituindo um pensamento positivo e adequado.
Comece por identificar o pensamento perturbador, sendo o mais detalhado possível sobre o que o assusta ou preocupa. Então, ao invés de ver os seus pensamentos como fatos, olhe para eles como hipóteses que você está testando no sentido de verificar se vão ao encontro daquilo que quer para si e lhe serve. Ao examinar e desafiar os seus medos e preocupações, você vai desenvolver uma perspectiva mais equilibrada, vai desenvolver equilíbrio emocional.
Pare de se preocupar, questionando o pensamento que o preocupa:
Qual é a evidência de que o pensamento é verdadeiro? Isso não é verdade?
Existe uma forma mais positiva, realista de encarar a situação?
Qual é a probabilidade de que o que eu tenho medo realmente aconteça?
Se a probabilidade é baixa, quais serão alguns dos resultados mais prováveis?
É o pensamento útil? Como é que preocupar-me com isso me ajudará ou me prejudicará?
O que eu diria a um amigo que tenha esta preocupação?
Distorções cognitivas que conduzem à ansiedade e preocupação:
Pensamentos de tudo ou nada. Você olha para as coisas pensando de forma categórica e absolutista, como se as coisas tivessem de ser preto ou branco, sem meio termo.” Se eu ficar aquém da perfeição, eu sou um fracasso total”.
Hipergeneralização. Você faz generalizações a partir de uma única experiência negativa, esperando que ela se mantenha sempre verdadeira.”Eu não serei contratado para o trabalho;. Eu nunca vou conseguir qualquer emprego”. O filtro mental focaliza apenas os aspectos negativos, enquanto omite todos os aspectos positivos. Percebendo a única coisa que correu mal, ao invés de todas as coisas que deram certo.
Desvalorização do que é positivo. Não dá atenção às coisas boas que lhe acontecem. “Eu estive bem na apresentação, mas isso foi apenas pura sorte.”)
Tirar conclusões precipitadas e fazer interpretações negativas, sem provas concretas. Você age como alguém que acredita ser capaz de ler  a mente dos outros. “Eu sei que  aquela pessoa me odeia.”) Ou como se fosse um cartomante. “Só sei que algo terrível está para acontecer.”
Pensamentos catastróficos. Espera o pior cenário possível de acontecer. “O piloto disse que estamos num buraco de turbulência. O avião vai cair!”.
Raciocínio emocional. Acreditando que a maneira que você sente reflete a realidade. “Eu sinto medo agora. Isso deve significar que estou em perigo físico real.”
Regras rígidas do tipo: “Eu tenho de…” ou “Eu nunca posso…”. Munindo-se de uma lista rigorosa do que você deve e não deve fazer, punindo-se a si mesmo se  quebrar alguma das regras.
Rotulagem. Rotular-se com base em erros e deficiências percebidas. “Eu sou um fracasso, um idiota, um perdedor”.
Personalização. Assumindo a responsabilidade (inflação da responsabilidade) por coisas que estão fora de seu controlo. “O meu filho teve um acidente, a culpa é minha. Devia ter avisado para ele dirigir com cuidado quando chove”.
PREOCUPAÇÃO E ANSIEDADE – DICA 4: APRENDA A RELAXAR
A ansiedade é mais do que apenas um sentimento. A ansiedade comporta uma resposta que se faz sentir no corpo físico, emitindo uma reação de “lutar ou fugir” a uma ameaça percebida. O seu coração bate mas forte, você respira mais rápido, os seus músculos ficam tensos, e em algumas situações por ter uma sensação de “tontura”. Quando você está relaxado, o contrário acontece. A sua freqüência cardíaca diminui, você respirar de forma mais lenta e profunda, os músculos relaxam, e a sua pressão arterial estabilize-se. Desde modo, algo de extraordinário acontece para a diminuição da ansiedade, é impossível estar-se ansioso e relaxado ao mesmo tempo. E isto é tremendamente capacitador, é uma estratégia muito poderosa que pode ser utilizada em situações de extrema ansiedade. O relaxamento é uma tática poderosa para o alívio da ansiedade.
Se você é uma pessoa que sofre de preocupação crônica, as técnicas de relaxamento, como relaxamento muscular progressivo, respiração profunda e meditação podem ensiná-lo a relaxar. A chave é a prática regular. Tente reservar pelo menos 20 minutos por dia. Com o tempo, a resposta de relaxamento será mais fácil, até que ela possa instituir-se como uma técnica efetiva ao seu dispor para regular os seus estado de ansiedade para níveis funcionais e adequados a diferentes situações de vida.
Algumas técnicas de relaxamento úteis:
O relaxamento muscular progressivo. Quando a ansiedade toma conta de si, o relaxamento muscular progressivo pode ajudá-lo a libertar a tensão muscular e reduzir ou afastar as suas preocupações. A técnica envolve sistematicamente contrair e, em seguida, descontrair os grupos musculares diferentes no seu corpo. Como o corpo relaxa, a  sua mente irá focar-se nessa sensação de bem-estar e automaticamente abandonar os pensamentos ansiosos.
A respiração profunda. Quando você está ansioso, respira mais rápido. Essa hiperventilação provoca sintomas como tontura, falta de ar, rigidez, formigueiro nas mãos e pés. Estes sintomas físicos são assustadores, levando a mais ansiedade e pânico. Mas ao respirar profundamente pelo diafragma, você pode reverter esses sintomas e acalmar-se.
Meditação. Muitos tipos de meditação provaram ser eficazes para reduzir a ansiedade. A meditação mindfulness, em particular, mostra-se como uma técnica muito útil para o alívio da ansiedade. Pesquisas mostram que a meditação mindfulness pode realmente mudar alguns estados do seu cérebro. Com a prática regular, a meditação aumenta a sensação de serenidade e alegria.

PREOCUPAÇÃO E ANSIEDADE – DICA 5: CUIDE DE SI MESMO
Um estilo de vida saudável e equilibrada desempenha um grande papel na manutenção da ansiedade, medos e preocupações a níveis funcionais e adequados.
Apresento a seguir uma série de maneiras que pode utilizar para aliviar a ansiedade e preocupação, cuidando de si mesmo:
Procure suporte em amigos, familiares ou ajuda profissional. A ansiedade e preocupação pioram quando você se sente impotente e sozinho. Empenhe-se em construir um forte sistema de apoio. Quanto mais você estiver ligado a outras pessoas, menos vulnerável você vai sentir-se. Se você começar a sentir-se oprimido com a preocupação, ligue para um familiar ou amigo de confiança. Fale-lhe sobre as suas preocupações, desabafar pode fazer com que os seus problemas pareçam menos ameaçadores.
Adote hábitos alimentares saudáveis. Comece bem o seu dia tomando o pequeno almoço, e continue com pequenas refeições frequentes ao longo do dia. Ficar muito tempo sem comer leva à redução dos níveis de açúcar no sangue, o que pode fazer você sentir-se ansioso e irritado. Coma hidratos de carbono, como arroz integral, frutas e legumes.
Pratique atividades de lazer. Procure praticar atividades que lhe tragam satisfação, alegria e o relaxem. Faça atividades que lhe permitam ficar envolvido, que lhe façam perder a noção de tempo.
Pratique exercício Físico. Faça algum tipo de atividade física, de preferência de  aeróbico, como caminhadas, corridas de baixa intensidade, ou algum tipo de jogo coletivo. 



08/04/2017

Como ajudar alguém que sofre de Síndrome do Pânico/Ansiedade


Ajudar alguém com ansiedade


Como ajudar alguém que sofre de Síndrome do Pânico/Ansiedade

Aqui você encontrará algumas dicas básicas e essenciais para entender melhor esse problema e saber até que ponto e de que maneira ajudar.

Nunca menospreze o problema

A síndrome do pânico não é frescura, bobagem ou loucura. Nunca diga a uma pessoa que apresenta sintomas de pânico que ela não tem nada demais ou que é fraqueza dela. A síndrome do pânico é um problema real que deve ser levado a sério. É importante saber que a pessoa já sofre o bastante com os sintomas da doença, fazê-la se sentir fraca ou perturbada mentalmente é muito cruel e absolutamente desnecessário. A pessoa não é fraca nem covarde, apenas está doente e precisa de ajuda.

Não exerça nenhum tipo de pressão

Se uma pessoa com esse problema diz que não tem condições de fazer algo é porque realmente não tem. A síndrome do pânico não impede o paciente de perceber suas limitações com relação à doença. Não fique insistindo pra ela sair ou desencanar; acredite, ela quer muito isso, mas não está em condições de enfrentar algumas situações sem ter uma crise ou mal-estar. Tenha muita calma.

Evite formas de incentivo grosseiras ou agressivas

Evite tentar incentivá-la “dando um empurrãozinho” ou um “chacoalhão”, esperando que assim ela reaja. A pessoa está certamente muito sensibilizada e esse tipo de incentivo pode soar como uma agressão para ela, pois certamente se sentirá fraca diante dos outros. Gritar ou dizer certas coisas em tom muito entusiástico para provocar uma reação pode atrapalhar mais do que ajudar.

Evite contar histórias trágicas ou de enfermidades para quem tem esse problema

Em geral, durante o período de crises, a pessoa fica muito suscetível a incorporar sintomas às suas crises, tem medo de ter a mesma doença que ouviu falar ou de sofrer um acidente como “aquele que aconteceu com a vizinha…”

Mantenha a calma durante as crises

Embora seja difícil, procure manter a calma se a pessoa tiver uma crise. Se você não se abalar , mostrar que está por perto para ajudá-la e conseguir acalmá-la, dar segurança, dificilmente ela terá outra crise perto de você. Se você se envolver no desespero do paciente, dificilmente poderá ajudá-lo. As crises podem demorar um pouco, mas elas passam.

Evite tratar quem tem o problema como um coitadinho

Qualquer ser humano se sente inferiorizado quando sentem pena dele. Cuide da pessoa com confiança em sua recuperação e não como se ela fosse uma vítima das circunstâncias.

Jamais indique medicamentos por conta própria ou por experiências de terceiros

Deve-se sempre consultar um psiquiatra para saber qual o tratamento mais indicado para cada caso.

Seja paciente com a pessoa e consigo mesmo

É preciso ter muita paciência e não é nada fácil entender o que se passa nessa situação. Por isso, se você se sentir impotente ou incapaz de entender e ajudar, saiba que isso é bastante comum. Você jamais deve se sentir um inútil por não poder resolver o problema. A melhor ajuda que você pode dar é manter a calma e confiar muito na recuperação da pessoa, mostrando sempre que você está ali para apoiá-la. Se for necessário, procure um dos grupos de ajuda. Eles também podem ajudar as famílias dos pacientes e dar maiores informações sobre a doença

10/02/2017

Diferença entre Psiquiatra, Psicólogo e Psicanalista



O termo “psi”, bastante utilizado pelas pessoas, muitas vezes pode ser permeado de confusão quanto aos significados, principalmente quando se refere aos profissionais indicados por este termo: psiquiatra, psicólogo ou psicanalista.
O psiquiatra é um profissional da medicina que após ter concluído sua formação, opta pela especialização em psiquiatria. Esta é realizada em 2 ou 3 anos e abrange estudos em neurologia, psicofarmacologia e treinamento específico para diferentes modalidades de atendimento, tendo por objetivo tratar as doenças mentais. Ele é apto a prescrever medicamentos, habilidade não designada ao psicólogo. Em alguns casos, a psicoterapia e o tratamento psiquiátrico devem ser aliados.
O psicólogo tem formação superior em psicologia, ciência que estuda os processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano. O curso tem duração de 4 anos para o bacharelado e licenciatura e 5 anos para obtenção do título de psicólogo. No decorrer do curso a teoria é complementada por estágios supervisionados que habilitam o psicólogo a realizar psicodiagnóstico, psicoterapia, orientação, entre outras. Pode atuar no campo da psicologia clínica, escolar, social, do trabalho, entre outras.

O profissional pode optar por um curso de formação em uma abordagem teórica, como a gestalt-terapia, a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental.
O psicanalista é o profissional que possui uma formação em psicanálise, método terapêutico criado pelo médico austríaco Sigmund Freud, que consiste na interpretação dos conteúdos inconscientes de palavras, ações e produções imaginárias de uma pessoa, baseada nas associações livres e na transferência. Segundo a instituição formadora, o psicanalista pode ter formação em diferentes áreas de ensino superior.



30/12/2016

O que vem à sua cabeça quando escuta "fim de ano"?





O que vem à sua cabeça quando escuta "fim de ano"? Para a maioria das pessoas, além de "Natal" e "Réveillon", "correria" está no topo da lista. Nestas duas últimas semanas, é comum tentar fazer tudo o que não conseguiu em todos os outros meses. Somado a isso, há os inúmeros amigos secretos, confraternizações, compras, viagens... O resultado, além do estrago nas finanças (olha aí outra fonte de preocupação), é um sentimento constante de atraso e de falta de tempo. Com ele, o cansaço e, em alguns casos, a sensação de fracasso. Assim, está armado o gatilho que pode empurrar às alturas a ansiedade, uma mistura de angústia e preocupação com o que virá – nesse caso, mais 365 dias. Mas dominar esse sentimento antes que ele tire seu sono e seu humor é possível. 
encontre formas de driblar a ansiedade para dar as boas vindas ao Novo Ano de bem com a vida.
1. Entenda a situação.
A ansiedade é uma sensação normal e nem sempre ruim. Ela faz parte do instinto de proteção, pois dispara para deixar o cérebro mais ligado em situações de perigo ou estresse. No fim do ano, quando tem tanto acontecendo – prazos chegando ao fim, festas cheias de emoção, balanços etc – é normal ficar mais estressado e, logo, mais ansioso. "É importante ter consciência de que isso acontece, porque assim a pessoa se 'vacina'", diz o médico e psiquiatra Cyro Masci. Ou seja, tomando consciência do aumento da pressão, fica mais fácil entender que essa fase é passageira e, dessa forma, manter a calma.  
2. Prepare-se: festas de família à vista.
Para boa parte das pessoas, os encontros com a família e amigos não são emocionantes e lindos como nos comerciais de TV. Geralmente, essas reuniões nos obrigam a (re)visitar emoções nem sempre fáceis, como a perda de alguém querido, e também a rever pessoas com quem não nos damos tão bem. "Muitas vezes, a existência desses sentimentos negativos gera ansiedade, por ameaçar a idealização de que o Natal deveria ser um momento de harmonia", explica o psicólogo Artur Scarpato. "A pessoa fica ansiosa por não estar sentindo tudo aquilo que acha que deveria estar sentindo, o que acentua os sentimentos de inadequação – como se ela fosse culpada por não estar tão feliz", completa. Então, aceite seus sentimentos – não há nada de errado em não estar no auge da alegria durante a troca de presentes ou na noite da virada. E evite criar expectativas grandes demais para as festas. Assim, você se abre ao que vier e pode até ser surpreendido positivamente.    
3. Faça uma lista das coisas boas que passaram.
Culturalmente, nos educamos a fazer uma lista de metas ou desejos nessa época. Mas enumerar o que "falta fazer" pode gerar mais ansiedade – de certa forma, você está pensando no que ainda não tem ou não conseguiu. Tente fazer o exercício oposto. Dedique alguns minutos a pensar sobre as conquistas, os planos que deram certo e as surpresas boas de 2013. Depois, anote-as. Colocar no papel é importante, porque organiza o pensamento e não deixa a mente se focar nas experiências ruins. "Só o fato de reconhecer o que recebeu de bom vai aumentar o nível de felicidade", diz Cyro Masci. "Assim, você tira o foco do negativo e ilumina o positivo".
4. Pergunte-se por quê.
Não abre mão da lista de metas para o ano seguinte? Tudo bem. Mas busque fazer isso de maneira mais profunda. Entenda bem as suas metas. Um exemplo: você coloca na lista "ganhar mais dinheiro". Qual a razão desse desejo? "Para viajar mais". Por quê? "Para ampliar os horizontes." Pronto, chegou ao ponto. Analise outras possibilidades. Será que fazer um novo curso não terá o mesmo efeito?  "É preciso entender o motivo por trás de cada desejo. Dessa forma, você vê o que é necessário mudar na sua vida de verdade", diz Cyro. Sabendo bem o que quer, você diminui a própria inquietação, um dos alimentos da ansiedade.
5. Foco no presente.
Não só naqueles que vai colocar embaixo da árvore. Se pensar no que estar por vir deixa você preocupado, busque se concentrar no agora. Toda vez que estiver fazendo projeções, olhe em volta, pense somente no que quer realizar ou fazer neste momento, hoje. "Deixe o futuro para lá um pouco. Apesar de podermos fazer planos, nunca sabemos com certeza o que vai acontecer", diz o terapeuta cognitivo-comportamental Bernard Pimentel Rangé, autor de "Vencendo o Pânico" (ed. Cognitiva). E acredite: tudo tende a dar certo. "As pessoas com esse tipo de preocupação sempre acham que algo ruim vai acontecer e que não saberão lidar com aquilo. Mas as coisas, em geral, funcionam", diz Bernard.
6. É apenas uma data.
A vida não tem que mudar de repente porque estamos em um determinado dia. "É uma data como outra qualquer. Nós é que criamos essa ideia de que a partir daí tudo deve mudar", diz o psicólogo Cyro Masci. "Poderíamos comemorar um reinício de vida a cada seis meses, por exemplo", completa. Toda transformação é resultado de um processo. Ter isso em mente ajuda a tirar o peso do fim do ano e alivia a sensação de acúmulo de tarefas e a frustração por não ter cumprido todos os objetivos traçados antes. Eles ainda podem ser realizados.
7. Pare. Respire. Medite.
A pressa deixa a respiração acelerada, muitas vezes, sem nem percebermos. Quando se sentir tomado pela ansiedade, inspire e expire lentamente até se sentir mais calmo. Esse exercício oxigena o cérebro e, além de te desacelerar, também ajuda a pensar melhor. Na mesma linha, os especialistas recomendam a meditação, pois a prática fortalece a capacidade de regular emoções.
8. Faça o que gosta.
Sabe aquelas atividades que fazem você esquecer as urgências, os problemas, a vida? Se não sabe, hora de descobrir. Por exemplo: nadar, andar ou correr no parque, dançar, fazer algum tipo de artesanato... Não abra mão delas. Reserve um tempo toda semana para dedicar a um hobby ou ao lazer. "A vida tem ficado muito no universo profissional. As pessoas precisam lembrar que têm amigos, família e lazer", alerta a médica homeopata Aurea Pascalicchio. E invista também nos mecanismos que ajudam a escapar daquilo que provoca a ansiedade, como o estresse. "São atitudes como mudar o horário de chegada no trabalho para pegar menos trânsito. Ou resolver um conflito que vem adiando", diz Aurea.
9. Cuide da alimentação.
Reforce sua dieta com alimentos com triptofano, o aminoácido que ajuda na formação da serotonina, que é o neurotransmissor da sensação de relaxamento, inimigo do estresse. Alguns deles são: grãos, biscoitos e massas integrais, queijo, leite, castanha de caju, amêndoas, nozes, feijão, ervilha e frutas como banana, melancia, melão e abacate. Ah, e chocolate também! Especialmente aqueles do tipo meio amargo.
10. Faça o bem.
Ser generoso e se envolver com atividades voluntárias aumenta a satisfação pessoal e a autoestima. Isso deixa você mais feliz e, logo, alivia a ansiedade. Da mesma forma, faz muito bem abraçar quem você gosta. Uma pesquisa feita na University of Vienna, na Áustria, divulgada no início de 2013, mostrou que o abraço de uma pessoa querida provoca a liberação de oxitocina, o hormônio do amor, o que reduz o estresse, o medo e a ansiedade. "São coisas simples que fazem toda a diferença", diz Aurea.


Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/12/16/10-dicas-para-dominar-a-ansiedade-de-fim-de-ano.htm


23/12/2016

Hiperventilação ou respiração acelerada - Entenda o que é aprenda a controlar



Hiperventilação significa excesso de respiração, causada pela respiração mais rápida do que o necessário. Dessa forma, o equilíbrio de dióxido de carbono e oxigênio é perturbado. A hiperventilação ocorre muito nos ataques de pânico, porque a pessoa começa a respirar mais rápida e superficialmente e isso faz com que se ingira mais dióxido de carbono do que o corpo produz, mantendo assim o nível de dióxido de carbono na corrente sanguínea muito baixa. Sem o dióxido de carbono suficiente para manter o equilíbrio ácido / base do corpo, o sangue torna-se demasiado alcalino, uma condição conhecida como "alcalose". A alcalose causa a constrição das artérias. O resultado é a restrição do fluxo sanguíneo, principalmente para o cérebro. Embora o sangue contenha uma abundância de oxigênio, a alcalose também impede a transferência essencial de oxigênio do sangue para o cérebro, músculos e órgãos, como tem sido freqüentemente verificado em vítimas de ataque de pânico que passaram para a sala de emergência. Isso é conhecido como "Efeito de Bohr".. Sob essas circunstâncias, o oxigênio disponível para o cérebro é reduzido drasticamente. No início a sua visão começa a embaçar. E os sintomas típicos são tonturas, enjoo, ansiedade e agitação. A pessoa pode vir a sentir vontade de chorar, e se sente fraca e confusa. Como o quadro se agrava, o cérebro fica mais confuso e envia mensagens erradas. Uma mensagem de erro é enviada: a necessidade de respirar mais profundamente, o que agrava ainda mais o problema. O coração acelera, as pupilas dilatam, partes do rosto como mãos e pés tornam-se frias ou dormentes, há tremores e ocorrência de suor frio. A dor no peito pode estar presente. Isso geralmente é relacionado à respiração torácica e espasmos musculares na parede do tórax. Outro sintoma diretamente decorrente é formigamento nos dedos das mãos e dos pés. Um sinal claro de hiperventilação. A dormência é um sintoma que é difícil de se acostumar, porque leva as pessoas a achar que terão um derrame, o que piora ainda mais a situação. A hiperventilação não é uma condição médica séria. No entanto, as sensações são extremamente desagradáveis e assustadoras.


  • Aprenda exercícios que ajudem a relaxar e respirar com o diafragma e abdômen, ao invés de sua parede torácica. (respiração diafragmática)
  • Respirar com os lábios franzinos ou cobrindo a boca e tentar respirar pela narina. Com a boca coberta, feche uma narina e respire pela outra, depois alterne e faça o mesmo. Realize isso até sua respiração normalizar.
  • Junte as mãos em forma de concha e respire dentro
  • A prática  de relaxamento, meditação e yoga  são algumas alternativas que ajudam muito.
  • Fale com seu médico.

13/12/2016

Mais triste do que passar o Natal sozinho, é passar ao lado de quem não nos trata bem





Com a proximidade da virada do ano, todos ainda estão correndo, sejam com as compras que faltam para o preparo da comida, os enfeites para a casa, a mesa, as roupas. São festas, preparativos para viagens... Enfim, não há tempo para nada, com o objetivo que tudo esteja devidamente pronto para as comemorações. São preocupações até gostosas de se ter.
Pior abandono é aquele que fazemos a nós
Sim, essa é uma realidade comum nesses dias; mas não podemos nos esquecer que nem todos estão com toda essa vontade de comemorar, muitas pessoas se encontram sozinhas nesse momento, por opção ou não, mas estão tristes, querendo mais é dormir e acordar só dia 2 de janeiro. Há pessoas internadas ou com familiares em hospitais, doentes em casa, outros que acabaram de perder pessoas amadas e queridas e que nessa época do ano parece que todas as dores se acentuam. E quando a dor emocional fica intensa, a tensão aumenta e assim aumentam também as dores físicas. E tudo que menos se deseja é comemorar, pois quando não estamos bem, parece que ver alguém rindo, brincando, é uma afronta diante de toda nossa tristeza.
Quando não se tem uma família por perto, estando distante, sejam por conflitos familiares, brigas antigas, ou quando já faleceu alguém muito amado, parece que falta algo, um vazio difícil de ser preenchido e mais difícil ainda é ter o desejo de comemorar. Afinal, comemorar o quê? Alguns ainda têm amigos, mas também nem sempre há o desejo de estar ao lado deles, pois muitas vezes nos sentimos um pouco rejeitados por não fazer parte da família. Seja qual for seu sentimento no momento, deve ser respeitado por todos e principalmente por você mesmo.
Mais triste do que passar o Natal sozinho, é passar ao lado de quem não nos trata bem ou com quem não temos muito vínculo, mas essa é uma decisão muito pessoal e que muitas pessoas não conseguem aceitar facilmente, vindo sempre com algum tipo de julgamento ou condenação: "Onde já se viu ficar sozinho..." Ou ainda: "Eu vou te buscar e virá junto comigo nem se for arrastado..."
Você já ouviu frases assim? Quanta falta de respeito, não? Mas o ser humano é assim, tudo que for diferente do que para ele é o certo, está errado. Difícil compreender tal raciocínio. Mas o que importa mesmo, estando só ou não, é aproveitar esse período que é propício para a reflexão, e entrar em 
contato com seus sentimentos, objetivos, comprometendo-se consigo mesmo que irá buscar aquilo que mais deseja, por mais que esteja passando por um momento de dificuldades.
O que você mais deseja nesse momento? Um novo trabalho? Um novo amor? Paz? Discernimento? Seja o que for que esteja precisando, com certeza o universo pode lhe proporcionar, mas para isso é necessário que primeiro você acredite que é merecedor de receber, ter consciência que só conseguirá dar e receber amor, quando tiver amor por si mesmo.
Só conseguirá um trabalho onde realmente irão reconhecer seu valor, quando você mesmo acreditar em seu valor e em sua capacidade, o que nem sempre é fácil para quem só teve ao lado pessoas críticas, onde tudo que fazia, falava, pensava e sentia, era errado. Mas você pode se libertar desse passado. Encare-o de frente, se quiser, escreva tudo pelo que passou e principalmente, tudo que sentiu. Isso poderá aos poucos ajudá-lo a organizar sua mente e seus sentimentos e aprove-se mais, independente das outras pessoas.
Devemos é resgatar nossos sonhos, não esperando que apareça um salvador, mas acreditando que cada um de nós é capaz de vencer, de viver, de ser feliz pelo o que se é e não pelo que se tem nem pelo que esperam que sejamos.
Caso fique sozinho nessa passagem de ano, não fique triste, lembre-se que seu caminho só pode ser trilhado por você mesmo, ninguém poderá dar os passos por você e o sabor da vitória também será só seu! E nesse momento, substitua a tristeza pela alegria, a saudade pelas boas lembranças, o comodismo pela mudança, os maus tratos pelo cuidado, a agressividade pelo carinho, as lágrimas pelo sorriso, a descrença pela fé e esperança, as brigas pela união, a culpa pelo perdão, o ódio pelo amor.
E permita que esses sentimentos positivos perdurem em todos os dias do próximo ano.
.Assim, não só coloque, mas sinta paz em seu coração e por mais que se sinta abandonado, lembre-se que o pior abandono é aquele que fazemos a nós mesmos! 

Texto Rosemeire Zago (psicóloga)

06/12/2016

Doença psíquica: a dor da alma




O que dizer a alguém tão curvado sob o peso de tantos medos; tão fragilizado com o pesado fardo da insegurança; tão assustado com o horrendo fantasma do pânico; tão desesperado diante da incerteza de uma solução?...
O que fazer, quando no vigor dos anos, se deixa de sorrir e de sonhar; quando o sorriso dá lugar ao pranto; quando todos os medos afloram e adquirem um tamanho desproporcional; quando a simples arte de viver torna-se algo tão difícil de realizar?...
É possível que, nunca tendo se sentido assim, a gente chegue até mesmo a aconselhar:
"tire umas férias; faça uma viagem; tente relaxar; vá ao cinema; vá ao teatro; vá bater pernas, olhar vitrines, vá passear..." Outros, menos sensíveis, talvez usem frases como estas: "deixe de bobagem; isso é tolice; você é tão jovem; não existe razão para você se sentir assim; isso é frescura; isso é chilique; é falta do que fazer; é doença de gente chique... pobre não pode se dar o luxo de ter estresse... não tem tempo para sentir "essas coisas", nem dinheiro para pagar psicólogo... terapia é fricote de quem é rico..." Não faltará com certeza gente para receitar: "tome água com açúcar; coma bastante alface; maracujá é calmante; antes de dormir tome um chá: camomila, cidreira, capim santo, flor de laranjeira, maçã com canela... você vai melhorar..."
E aquela pessoa sentindo-se tão triste, tão assustada, tão desarmada, tão humilhada, tão indefesa, tão infeliz... Ouve em silêncio, baixa a cabeça, fica perdida, sem direção; a voz embarga, a lágrima rola, não se controla, nada conforta, não tem palavras, nada diz. Chora seu pranto, sozinha em seu canto, sentindo na pele a mais profunda frustração. Ninguém a entende; todos opinam os mais religiosos sugerem orações. Nada dá certo; o mal continua; o medo aumenta; o pânico se instala; o desespero a invade e a torna incapaz. Incapaz de sorrir, de sonhar, de viver... Incapaz de sair, de trabalhar e até de crer.
Não sabe o que tem... Mas, sabe que tem. Tem consciência dos seus medos, mas não os controla. Percebe o que sente e embora desconheça a sua razão, sente tudo o que diz. Tem uma ferida que dói escondida no fundo da alma, que ninguém pode ver nem pode tocar. Só sabe quem sente... Só sente quem tem... Não merece crédito... Não comove as pessoas... É pura frescura... Não dói em ninguém.
É assim a doença emocional... Não mostra sangue. Não é palpável. Os exames clínicos não detectam; as sofisticadas máquinas de tomografia e ressonância magnética não registram; a maioria das pessoas ignora; boa parte dos médicos não valoriza... mas, nem por isso é menos dolorosa. A dor da alma é tão forte e provoca tanto sofrimento quanto à dor do corpo e ainda é dilatada pelo preconceito dos menos informados, muitos dos quais dentro da própria família. É importante se conscientizar de que a doença emocional – como toda doença – merece respeito e tratamento digno e adequado, com profissionais competentes e especializados. Convém ressaltar, que em se tratando de "doença democrática" que não escolhe sexo, idade, classe social, credo ou profissão, qualquer pessoa, até mesmo médico e psicólogo, pode ser acometida pela doença psíquica.
Para finalizar fica uma palavra amiga aos pacientes com depressão, transtorno do pânico, demais transtornos de ansiedade e do humor, de quem viveu a doença na sua forma mais intensa: "Jamais se deixem abater pela descrença porque a cura é possível e viver ainda é e sempre será o bem maior. Existirão momentos de incerteza e desânimo ao longo do tratamento, mas o importante é vencê-los e manter-se firme na medicação e na psicoterapia, porque lutar vale a pena e a cura é a maior conquista ."
(Por Socorro Capiberibe – sócia fundadora e presidente da AMPARE – 18 anos de transtorno do pânico – atualmente há 10 anos sem crises. O texto foi retirado do livro de sua autoria: O fantasma do pânico ou o fundo do poço: como esquecer?


02/12/2016

12 Sinais de que você sofre do Transtorno de Ansiedade



Desenho: https://www.facebook.com/artofarthurprimasi/?fref=ts
O medo de falar em público, fazer uma entrevista de emprego, participar de uma reunião importante, conferir o resultado de uma prova, pedir um aumento para seu chefe. Todas essas situações normalmente geram certo nervosismo para quem está em vias de passar por elas.
A ansiedade é um termo genérico para várias doenças que causam nervosismo, medo, apreensão e preocupação. Esses distúrbios afetam o modo como nos sentimos e nos comportamos, e são capazes de se manifestar em sintomas físicos reais. A ansiedade leve é vaga e inquietante, mas, o indivíduo pode ter o controle do problema e conviver tranquilamente com o mal. Quando a ansiedade se transforma em severa, é capaz de debilitar o indivíduo, proporcionando sérios impactos negativos sobre sua vida cotidiana, limitando ou impedindo as suas escolhas. Ela se tornou tão comum nas novas gerações que já é considerada o mal do século, superando inclusive a depressão. Quer descobrir se a sua ansiedade cruzou a linha da normalidade e se transformou em um transtorno? Confira os principais sinais de quem sofre do problema. Se você apresenta mais de um deles, se os sintomas atormentam diariamente sua vida e suas ações, fique alerta e procure ajuda, pois você pode sofrer do mal!

1- PREOCUPAÇÃO EXCESSIVA

Uma marca registrada da ansiedade é uma preocupação excessiva sobre coisas cotidianas, tanto grandes como pequenas. Mas, como descobrir se ela é excessiva? Se você tem pensamentos persistentes na maioria dos dias, durante meses sobre a mesma coisa. Além disso, a ansiedade deve ser tão ruim que ela acaba interferindo na sua vida diária e é acompanhada por sintomas perceptíveis, tais como fadiga. “A distinção entre um transtorno de ansiedade e apenas ter ansiedade normal é se suas emoções estão causando muito sofrimento e disfunção”, diz Sally Winston, PsyD, co-diretor do Transtorno de ansiedade e estresse do Instituto de Maryland em Towson.

2- PROBLEMAS COM SONO

Dificuldade em adormecer ou manter o sono está associada com uma diversidade de problemas de saúde, tanto físicos como psicológicos. Sim, é completamente normal nas noites que antecedem uma apresentação importante, ou mesmo uma grande entrevista de emprego você demorar a pegar no sono. Mas se você se encontrar com freqüência deitado e acordado, preocupado ou problemas específicos (como falta de dinheiro) ou nenhum que você consiga visualizar, pode ser um sinal de um transtorno de ansiedade. Segundo algumas estimativas, metade das pessoas com transtornos de ansiedade têm sérios problemas para dormir. Outro sinal de que a ansiedade pode estar na sua vida e acordar repentinamente algumas vezes, nervoso, sua mente acelerada, e você sendo incapaz de se acalmar.

3- MEDOS IRRACIONAIS

Alguns tipos de ansiedade estão ligados a situações específicas, como voar, animais ou multidões. Se o medo se torna perturbador e fora de forma proporcional ao risco real envolvido, é um sinal revelador de fobia, um tipo de transtorno de ansiedade. Embora fobias possam incapacitar pessoas, nem sempre são óbvias em todos os momentos. Elas não podem vir à tona até que você enfrente uma situação específica e descubra que você é incapaz de superar o seu medo. “Uma pessoa que tem medo de cobras pode passar anos sem saber. Mas, de repente, seu filho quer ir acampar e ela percebe que precisa de tratamento”, aponta Winston.

4- TENSÃO MUSCULAR

Tensão muscular constante, como apertar sua mandíbula, cerrar os punhos, os flexionar músculos por todo o corpo, repetidamente. São sintomas que acontecem de maneira tão persistente para quem tem o mal que ela simplesmente pode parar de perceber com o tempo. Exercícios regulares ajudam a manter a tensão muscular sob controle.

 5- PERFECCIONISMO

O comportamento perfeccionista anda de mãos dadas com transtornos de ansiedade. “Se você está se julgando constantemente ou tem ansiedade antecipatória sobre cometer erros ou ficar aquém dos seus padrões, então você provavelmente tem um transtorno de ansiedade”, aponta Winston. Perfeccionismo é especialmente comum no transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), que é visto como um transtorno de ansiedade.

6- O MEDO DE FALAR EM PÚBLICO

A maioria das pessoas sente aquele incômodo (o famoso friozinho na barriga) antes de abordar um grupo de pessoas ou estar no centro das atenções. Mas se o medo é tão forte que nenhuma quantidade de treinamento ou prática vai aliviá-lo, ou se você gastar muito tempo pensando e se preocupando com isso, você pode ter uma forma de transtorno de ansiedade social (também conhecido como fobia social). As pessoas com ansiedade social tendem a se preocupar por dias ou semanas que antecederam a um determinado evento ou situação. E se elas conseguem passar por ele, tende a ser extremamente desconfortável e traumático.

7- O TRAUMA DE SER OLHADO

Transtorno de ansiedade social nem sempre envolve falar para uma multidão ou ser o centro das atenções. Na maioria dos casos, a ansiedade é provocada por situações cotidianas como conversa cara-a-cara com uma pessoa em uma festa, abordar o sexo oposto, ou comer e beber na frente do mesmo um pequeno número de pessoas. Nestas situações, as pessoas com transtorno de ansiedade social tendem a se sentir que todos os olhos estão sobre eles, ocasionando vergonha, tremor, náuseas, suor excessivo, dificuldade em falar. Estes sintomas podem ser tão perturbadores que se torna difícil conhecer novas pessoas, manter relacionamentos, e avançar no trabalho ou na escola.

8- PÂNICO

Os ataques de pânico podem se transformar em algo aterrorizante. Você sente uma súbita sensação de medo e impotência tomar conta do seu corpo por minutos, a ponto de comprometer sua respiração, acelerar os batimentos cardíacos, formigamento nas mãos, suor excessivo, fraqueza, tonturas, dores no peito e no estômago, sensação de calor ou frio. Nem todo mundo que tem um ataque de pânico tem um transtorno de ansiedade, mas as pessoas que os experimentam repetidamente podem ser diagnosticados com transtorno do pânico. Pessoas com transtorno do pânico vivem com medo sobre quando, onde e por que seu próximo ataque pode acontecer. Eles tendem a evitar situações e lugares onde os ataques já ocorreram.

 9- FLASHBACKS

Reviver um evento traumático, a morte súbita de um ente querido pode ser uma característica marcante do transtorno de estresse pós-traumático, que compartilha algumas características com transtornos de ansiedade. Mas, os flashbacks podem ocorrer com outros tipos de ansiedade. Algumas pesquisas, incluindo um estudo de 2006 no Jornal de Transtornos de Ansiedade, sugerem que algumas pessoas com ansiedade social têm flashbacks de experiências que podem não parecer obviamente traumática, como ser ridicularizado publicamente.

10- INDIGESTÃO CRÔNICA

A ansiedade começa na mente, mas o corpo pode manifestar sintomas físicos claros, como problemas digestivos crônicos. Entre eles, dores de estômago, cólicas, inchaço, gases, prisão de ventre, diarreia. É basicamente a manifestação da ansiedade no aparelho digestivo. Nem sempre estes sintomas estão relacionados com a ansiedade, mas os dois ocorrem freqüentemente em conjunto e podem fazer um grande estrago. O intestino é muito sensível ao estresse psicológico e o desconforto físico e social dos problemas digestivos crônicos pode fazer uma pessoa se sentir mais ansiosa.

11- COMPORTAMENTOS COMPULSIVOS

Estes comportamentos podem ser tanto mentais (como repetir coisas para si mesmo) ou física (lavar as mãos, ajeitar itens). Pensamento obsessivo e comportamento compulsivo se tornar um transtorno quando a necessidade de completar os comportamentos, também conhecido como “rituais”, começam a conduzir sua vida. “Se você gosta de seu rádio com o nível do volume três, por exemplo, e ele quebra e fica preso em quatro, você ficaria em um pânico total de até que o conserte”, revela Winston.

12- DÚVIDAS E INSEGURANÇAS

Persistente insegurança e dúvida é uma característica comum aos transtornos de ansiedade, incluindo transtorno de ansiedade generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo. Em alguns casos, a dúvida pode girar em torno de questões fundamentais para a identidade de uma pessoa. Esses “ataques de dúvida” são especialmente comum quando uma questão é irrespondível. Como a incerteza é grande nestes momentos, essa intolerância acaba se transformando em uma obsessão.


Fonte: http://manualdohomemmoderno.com.br/
Fonte: Health

22/11/2016

Resposta do corpo em situações de "perigo"




Precisamos entender que os sintomas físicos que sentimos é ativado justamente para lidar com o “perigo” que supostamente nosso cérebro interpreta e quanto mais fixamos nesses sintomas, mais aumenta nossa ansiedade. O corpo apenas responde ao falso alarme desse perigo.

ATENÇÃO: só leia esse detalhamento dos sintomas do pânico depois de ter compreendido que a ansiedade não é perigosa e que todos os sintomas estão relacionados à sobrevivência do organismo em casos de perigo real.

Respiração rápida e coração acelerado 
O corpo quer garantir o adequado suprimento de sangue e oxigênio para os principais músculos entrarem em ação diante do perigo.

Sudorese 
O  enfrentamento  do  suposto  perigo  eleva  a  temperatura  corpórea,  sendo  o  suor  o  mecanismo  de resfriamento para evitar o superaquecimento. 

Náusea ou desarranjo estomacal 
Para  enfrentar  o  perigo,  o  corpo  desativa  sistemas  e  processos  desnecessários,  direcionando  todas  suas energias  para  as  funções  essenciais  a  sobrevivência  (você  não  precisa  digerir  o  almoço  para  fugir  de  um  leão faminto!). Em muitas pessoas, ocorrem alterações na mobilidade estomacal, gerando sensações de desarranjo. 

Dormência e formigamento 
Existem  duas fontes:
 1) hiperventilação, exagero ao tentar respirar mais rapidamente  para  preparar-se para as reações de luta e fuga.
 2) arrepio dos pelos, que aumentam a sensitividade da pele, favorecendo uma rápida reação  diante  de  toque  ou  movimento.  Contudo,  essa  reação  dos  folículos  capilares  pode  causar  uma  sensação estranha na pele. 


Tontura 
Durante  a  hiperventilação,  certas  áreas  do  corpo  recebem  maior  aporte  de  oxigênio  do  que  outras,  e  o cérebro  é  uma  das áreas  que recebe  menos  oxigênio. Essa  reação  inofensiva  e  transitória pode  causar  tonturas, distúrbios visuais ou sensações de desrealização. 

Aperto ou dor no peito 
É o resultado de uma tensão muscular global. A tensão muscular tem por objetivo preparar o corpo enfrentar o perigo.

Desrealização ou ofuscamento da visão 
Ocorre  quando  o  ambiente  parece  mais  brilhoso  ou  turvo  (algumas  pessoas  relatam  que  é  como  se estivessem vendo as coisas com um plástico na frente dos olhos). É um efeito da dilatação da pupila, que tem por objetivo fazer com que mais luz entre nos olhos, favorecendo a detecção de ameaças no ambiente. 

Sensação de asfixia ou engasgo 
Duas são as fontes para a sensação de asfixia ou engasgo:
 1) tensão muscular aumentada, que afeta também a musculatura ao redor do pescoço e esôfago.
 2) respiração acelerada, de modo que a rápida entrada e saída de ar resseca a garganta. 

Sensação de peso nas pernas 
Como as pernas são as partes mais importantes do corpo para as resposta de fuga, nada mais natural que os músculos dessa área estejam especialmente tensionados como forma de prepararem-se para ação. 

Calafrios / Ondas de frio e calor 
Os  calafrios  e/ou  ondas  de  frio  e  calor  advém  de  duas  reações  que  ocorrem  simultaneamente: 
Transpiração aumentada da pele e constrição dos vasos sanguíneos das camadas mais superficiais da pele. 
 
 

                                                  
 Baseada em Otto, M. W., & Pollack, M. H.  Stopping anxiety medication workbook. New York: Oxford University Press.